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FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

A Taberna Afonso

João-Afonso Machado, 19.10.22

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Vindo de Barcelos pela estrada antiga, fica na primeira freguesia do concelho de Ponte de Lima - Poiares. Não tem que enganar, a referência é a quase irmanada capela de S. Roque e o seu púlpito pétreo, voltado para o exterior e apropriado a sublimes sermões pós-almoço. Tão mais apropriado quanto é certo estarmos na capital do bacalhau assado na brasa.

A Taberna Afonso nasceu em 1997. Não disponho de feições suas dessa pueril fase. Há meia dúzia de anos lá fui ao fiel amigo e ainda o estabelecimento se pautava por alguma ingenuidade, - digamos assim - conquanto o petisco já fosse ao rubro procurado. O resultado era então o malfadado condimento de um almoço - a barulheira. (Se calhar, por isso, acabámos perorando aos deuses, um punhado de nós, no púlpito da capela de S. Roque.)

Desta feita, o grupo dos jovens famalicenses que se reune no Café S. Paulo deparou com mais amplas e sofisticadas instalações, uma sala quase só para si. A pesca, necessariamente, era a mesma.

As paredes da Taberna tinham petrificado nuas e a mesa comporta onze comensais com o maior conforto. O bacalhau parece um tubarão lascado, sem espinhas, coberto de cebola e grelos. Em prato à margem, a batatinha cozida. E tanto aparato quanto sossego, vagamente perturbado pela escolha dos vinhos, a discussão do costume.

Há-os amantes do maduro E do verde branco, o meu partido, o que melhor rega esse peixe salgado sem o ser, bem temperado como só na Taberna Afonso. In casu, escolhido o da casa, um monocasta (loureiro), muito afrutado, a registar 12,5º, não sei se com exactidão... (Em Poiares, assim graduado, produzido na freguesia, pois só lhes tiro o chapéu, aos solos e ao bom sol...)

Quanto ao serviço, não podíamos almejar mais, tratados por «filhos», maternalmente, servidos no prato e no copo, com fotografias intermediadas e pudim do Abade de Priscos e café para quem o bebe... Contas feitas, o destaque para o satisfatório e acessível preço.

A conversa foi-se deixando ficar. Depois, as despedidas e os devidos agradecimentos. De Poiares a Barcelos uns instantâneos 9 km e, até Famalicão, o breve trajecto de todos os elogios pensáveis - bacalhau assado, salgado como não o é... - à Taberna Afonso. Com todas as glórias devidas à coincidência de nomes - o daquele santuário e o deste pobre desconhecido.