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FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

Desafio 52 semanas - 48|Freio a fundo

João-Afonso Machado, 28.11.22

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Querida Amiga Ana:

Os conselhos dados - só a nós mesmos. Aos outros, é sempre um atrevimento, uma ousadia, a pseudo-sabedoria, com certeza malcriação.

E, por isso, guardo todos os meus doutos pensares aqui para o velhote nascido fadado para a asneira. Porque esta não é a história (fatalmente parcelar) das ditas asneiras nem o caminho é o do aconselhamento que me dou. E eu já antes tinha levantado a pontinha do véu em algumas notas escritas a mim próprio.

Sabe porquê? Porque na escrita, que é a minha vida, quantos mais os compromissos e os prazos, pior o resultado. E, nessa minha vida, além do que ninguém necessita ser aconselhado, falo dum caminho para a arte, tão simples quão complicado: complicado se quisermos publicamente brilhar; simples no recato das nossas horas, sem despertador, somente no vagar de posicionar as palavras no lugar certo.

(O eléctrico desfila nos carris, sem quase ruído, e a gente nem dá pelo historial, por toda a vida que nele viaja...)

Vai daí, a literatura e a solidão são quase irmãs. O mundo é demasiadamente tosco: tão tosco que não raro nem nos deixa entender porque publicamos.

Sendo parte da resposta (que nos damos) um certo exibicionismo nosso a que se há de pôr o freio, não vá ele derribar-nos na sua cavalgança.

Esse freio é bom conselheiro. Ele trava este cavalgante de si mesmo, tendencial cavalgadura.

Um beijinho.

 

(Desafios da Abelha - https://rainyday.blogs.sapo.pt/52-semanas-de-2022-introducao-392169)