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FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

À luz da vela

João-Afonso Machado, 01.11.22

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Não sei se é influência das muitas que tremelicam hoje sobre a memória dos nossos que já foram. Ocorre-me o efeito da cera a derreter e a luz circunscrita, concentrada em uma ideia qualquer. Em redor a escuridão é abstracção, seguramente a ausência de muita gente.

A caneta prossegue neste dia de afirmação da Eternidade. Haverá alguma razão especial para que ela vá além da escuridão? E porquê a correr, como se fosse apanhar o autocarro, como se o autocarro cumprisse fielmente o seu horário?

O Outono é inocultável, sendo jamais uma estação exuberante... Sei, sinto, algo está para mudar. O tinteiro esmoreceu emparceirado com a vela esquecida. Mas ainda lhe restam algumas forças.

Seguramente para um beijo àqueles com quem sonho todos os dias. E para honrar compromissos pendentes, ir transmitindo disposições de última vontade.

Parece ser a morte uma obsessão, mais a mais hoje. Não é. Somente a caneta reclama liberdade, recato e resmas e resmas de papel.

 

Este dia 4

João-Afonso Machado, 04.10.22

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Dos muitos que ofereci à minha Mãe, este foi decerto o livro de que mais gostou - O Poder do Silêncio, de José F. Moratiel, um dominicano. Eu havia-o comprado primeiro para mim, interessado no título. Depois a Mãe, no seu entusiasmo, tratou de adquirir mais não sei quantos para distribuir por pessoas amigas.

Relendo-o agora, confesso não me suscita a tão profunda impressão inicial. Há algumas linhas de raciocínio que se dispersam numa lógica menos convincente, ideias soltas e dificilmente compagináveis. Mas, ainda assim, está lá a referência ao Outono, a estação «arrasadora»: «Não perdoa nada. Tudo cai. Entra-se num período de morte. Mas é uma estação boa. As árvores ficam despidas. Não é morte mas é vida». E com a Primavera, tudo «germina, leveda. O silêncio pode ser um Outono em que tudo cai». E «só o silêncio nos devolve a consciência, passaremos a observar a vida sem dela sermos cumplices».

Há que interpretar. Por esta hora completam-se três anos que a minha Mãe nos deixou. Num silêncio de madrugada que «é um espaço para o encontro com o desconhecido. A passagem para o mistério dá-se no silêncio».

Um «silêncio de amor: silêncio de comunhão». É este - foi desde então - o meu falante silêncio com a minha Mãe.

 

No rio Vizela aos barbos (com batata frita)

João-Afonso Machado, 23.09.22

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É uma prática habitual, chegando a águas fluviais desconhecidas, uma mirada (- Boas tardes, então isso sai?... -) nos pescadores locais e deles a colheita dos apontamentos próprios sobre as especificidades do rio,  só para não ter de inventar.

Em Vizela, por exemplo, os barbos - e há-os grandalhões! - gostam de batata frita. Claro, não da batata frita de pacote. Antes da batata frita em palitos, aquela que usualmente acompanha o bife e o ovo respectivo a cavalo.

Confrontado com tal realidade, saudoso de pescarias e dos barbos, urgia recorrer à cozinha do hotel e humildemente esmolar um punhadinho de batatas fritas. Logo o atenciosíssimo pessoal de serviço (um deles andara no alto mar à pesca) prometeu para o dia seguinte frescas, cheirosas e... crocantes batatas fritas, para melhor se segurarem no anzol.

Assim foi e, pelo meio da tarde seguinte, não sem uma pontinha de emoção e as batatinhas num saco (acomodadas em guardanapo de papel), a cana telescópica truteira (4 metros) tornou à luz do dia, atrelou o Mitchell - o  rei dos carretos, uma maravilha, - uma boiazita pequena e um anzol mínimo e lançou-se nas águas corredouras do Vizela. Com uma lasquinha de batata frita no pico afiado onde o peixe se perde quando abre a boca.

O curso aquático estreitava entre duas pedras grandes, o caudal acelerava e precipitava-se, a profundidade era pouca. Mas, afiançavam os nativos, os barbos andavam ali.

Uma insistente ruptura dos ligamentos no pé direito ajudou muito pouco. O trambolhão na margem esteve iminente, não fora o tronco de árvore e o braço esquerdo agarrado a ele com desespero. Sucederam-se os lançamentos, a boia em rafting alucinante nos rápidos ribeirinhos, sossegando depois, já na zona onde o peixe era espectável. E quando ela afundou, parecia um torpedo, nada a enganar: o esticão, o nylon tenso, o peixe a rabiar já preso ao anzol escondido na batata frita. Era uma boga de dimensões consideráveis.

O mal estava todo no pé cansado e já dorido. A perturbar a pontaria nos lançamentos e o vaivém à saquinha das batatas fritas quando o peixe, mais lesto, roubava o isco sem se ferrar. Ainda assim não demorou outra boga, esta mais pequenota.

Por fim, o pedaço feliz da abençoada batata frita. Bem cravada no anzol e a linha no sítio ideal do troço de rio, já o sol fugia a escurecer as águas. O toque na boia foi firme. O esticão também. Havia força do lado de lá, num instante a cana dobrou a ponteira e o peixe circuitou contra a corrente procurando refúgio na margem. Trabalhou a manivela do Mitchell e o bicho veio a riba. Era um benquisto barbo, ainda jovenzito.

Retrato tirado, foi devolvido à vida. O pé direito doía que se fartava. Assim sendo... ficou o registo e o desejo enorme da próxima Primavera.

 

Nova edição do "Casas Nobres Famalicenses"

João-Afonso Machado, 17.09.22

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Em boa verdade, é já a 3ª edição. Mas foi a primeira, confiada ao meu editor, de escassa tiragem porque limitada apenas a uma lista de subscritores. Depois a Câmara Municipal de V. N. de Famalicão interessou-se pelo livro, cujos textos são da minha autoria e a ilustração do Amigo e conterrâneo David Vieira de Castro, e cedemos-lhe os nossos direitos. Esgotados todos os exemplares nessa outra edição, eis que uma nova saiu do prelo e está aí.

Para quem não se lembra, foi um interessante trabalho de campo e de pesquisa documental, do qual resultou a inventariação de 42 casas solarengas espalhadas pelo Concelho e em melhor ou pior estado, ainda vividas ou já caindo no esquecimento, não fora este apontamento histórico.

As Casas Nobres Famalicenses (ou o que delas restam) podem ser encontradas na livraria municipal, ao Parque da Devesa, ou através de contacto com os autores. Pela parte que me toca, via Facebook, telefone (quem o tiver) ou do endereço electrónico machado.ja@sapo.pt.

 

Impressões de um termalista

João-Afonso Machado, 15.09.22

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O átrio, os corredores, os balneários, tudo são lages pétreas regredindo às sandálias romanas. O termalista, ainda um pouco confuso, despeja os seus pertences num cacifo, enfia o calção de banho e o roupão, as xanatas compradas nos chineses, e inquire pela sala das lamas. Um termalista experiente saberá que não vai ser besuntado de cima a baixo, como um aborígene qualquer.

A sala das lamas tem toda a aparência de uma enfermaria superlotada. O termalista recebe ordens para aguardar, enquanto um avantajado funcionário espanca com violência duas almofadas fumegantes sobre as quais o termalista deitará a sua timidez. São elas o invólucro das lamas ferventes, o roupão do termalista serve-lhe de almofada, e mãos - vá lá... - femininas atapetam-lhe o corpo com mantas hibernais e lençois atados à altura do peito e dos braços, não seja o caso de o termalista intentar fugir.

É-lhe apontado o relógio, adorno único da granítica parede, e o processo transmitido em escassas palavras - Vinte minutos!

Tanto durará a mumificação do termalista. Como os seus congéneres cozendo em cima de lamas certamente vulcânicas.

O termalista tem então oportunidade de verificar que nem as lavas do inferno, aquela fornalha em que se derrete, bastam para calar as termalistas minhotas. Pormenorizando muito as suas maleitas terrenas, costas adiante até ao pernil, percebe-se que são termalistas veteranas, já sofrendo com toda a naturalidade a sua mumificação.

Enfim, vencidos os programados vinte minutos (e umas tantas inconfidências das termalistas minhotas), as múmias desparalisam, desenfaixam-se e partem para o capítulo seguinte.

Qual seja, o da piscina. Uma colecção imaginativa de jactos de água e repuxos, um calorzinho amazónico lá dentro. O termalista ensaia umas braçadas mas não tem muito onde se expandir. Devido até ao risco de colidir com alguma termalista bem defendida por inabaláveis pára-choques. Brinca ainda um pouco nas pocinhas, o termalista, mas já não vai ao jacuzzi. Segue directo para a etapa final, a massagem.

A etapa-rainha! Logo à chegada o termalista quase esbarra numa massagista trajando fato de banho negro com um aventalzinho branco sobre ele. E um devasso pensamento das humidades de Banguecoque perpassa-lhe o espírito. A massagista manda-o estender de barriga para baixo num estrado onde pingam várias goteiras de água quente. O gabinete é mínimo, muito íntimo, e a massagista começa amaciando com unguentos os pés do termalista. Depois vai por ali a riba.

A certa altura o termalista está de rabo quase ao léu e impedido de se voltar. O que irá suceder? A massagista, afinal com pés de cabra, atacá-lo-á com uma seringa? A expectativa é grande...

Nada de especial acontece, porém. A massagista prossegue o seu percurso ao longo das costas do termalista, sempre a esfregá-lo em óleos e empenhando-se a torcer-lhe com força os ombros e o pescoço. O termalista está encantado com tanta energia, daria tudo por uma eternidade massajada, mas uma voz seca e autoritária, num dito só, comunica-lhe que é findo o bem-bom.

Restará apenas, porque a classe dos termalistas honra os seus compromissos, o breve instante de se selfizar, assim deixando à posteridade evidências desses enebriantes minutos de prazer.

 

Rainha morta, Rei posto - eis a questão que os mói

João-Afonso Machado, 10.09.22

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É evidente, em República um Chefe do Estado em funções durante sete décadas só poderá personalizar uma ditadura e das mais ferozes; na férrea mão que aos 90 anos de idade ainda a consiga manter - a mão férrea, a autocracia.

Ao invés, em Monarquia, igual duração de um reinado (ou de chefia do Estado-Nação) sempre consolidará a relação entre o rei e o seu povo (senão seria a resignação ao trono, como sucedeu em Espanha), assim garantindo e fomentando o andamento das instituições democráticas. É o exemplo que colhemos de Isabel II, a grande Senhora que ainda não era rainha e já servia os britânicos, conduzindo camiões na Guerra Mundial.

Decerto contrariados (ou levados pelo "politicamente correcto"), os republicanos esmeraram-se no enaltecimento das virtudes da Rainha morta, nas peripécias do seu longo reinado ora findo. - Com ela acabou o século XX! - acrescentam ainda, a enfiá-la à pressa nas gavetas de um Passado sem continuidade.

A rápida e serena substituição de Isabel II com a entronização do seu filho, o Rei Carlos III, - no Reino Unido, aqui a dois passos da atenção dos portugueses, - é algo que aterroriza a República e já pôs a sua imprensa a ganir disparates.

Coleccionam-se fraquezas do novo Rei, Diana foi exumada, Camilla enterrada com o pescoço de fora, lançam-se suspeições e boatos tablóides. A confundir Portugal, dando da notável Rainha a ideia de uma ilha perdida no oceano...

Mas no Reino Unido a Monarquia é firme e Isabel II viveu o bastante para a firmar ainda mais. Os britânicos choram-na quanto já dão vivas a Carlos III.

Essa ópera bufa e peçonhenta fechou a minha televisão. Assisti ao bastante. Quem puder, dê um salto à Grã-Bretanha e constate, aprecie, tire conclusões.

 

In memoriam do after shave

João-Afonso Machado, 06.09.22

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O Sr. Pinto morreu o mês passado, já centenário. Foi quase uma romagem à sua Drogaria Pinto, algo depois, o negócio agora a cargo do seu filho, o Sr. Pinto Júnior. Não que não tivessemos sido contemporâneos nos estudos, mas o tempo faz coisas destas, cria distâncias e cerimónias e clientela grisalha. Srs. isto e Srs. aquilo. Embora as drogarias carreguem consigo o saudável paladar da imutabilidade, por mais modernizações interiores de que sejam capazes. 

Não resisti à sua montra nem à colecção de antigos after shaves nela expostos. Denim! (passe a publicidade), quase cinquenta anos num instante recuados, os anos em que a lâmina de barbear corria a cara intentando puxar uns pelos de barba à superfície dérmica, adubagem depois ardida na frascaria do Pai, que fazia de conta e sorria condescendente.

É o que uso somente e vou descobrindo a preços módicos em estabelecimentos similares Portugal adiante. Com a saudade presa a tão remotas épocas dos primeiros sonhos com patilhas e bigode.

Mais a mais reforçada, essa nostalgia, com a escolha aconselhada junto à vitrine onde o produto se preserva e a perguntinha sibilada ao balcão, enquanto o embrulho é cuidadosamente feito, - Então e que mais há de ser?

E a gente olha em redor, passa além dos pesticidas e das vassouras, mas acaba sempre tentado por um alicate ou um canivete... E isso foi o que houve de ser.

 

Uma visita nocturna

João-Afonso Machado, 04.09.22

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Fora já o luso fusco e a surpresa entrara pela chaminé e esperava-me no meu quarto. Um jovem mocho galego, ainda mal calhado nas artes de voar. Trouxe-o comigo à cozinha e ofereci-lhe um pedaço de carne de porco à alentejana, mas recusou. Notava-se, estava aterrado, o olhar escancarado e as garras de volta dos meus dedos. Sem quaisquer intenções de bico... Temendo pela sua sobrevivência propus à horda de sobrinhos uma caixa de sapatos, alimento, tempo para crescer - tal qual criei tantas corujinhas caídas do ninho. Mas o protesto foi geral - liberdade, liberdade! - e eu cedi ao poder das massas. Já lá vão esquecidos na História os morgados de outrora, respeitáveis chefes de clã. O mochinho, a voar assim, ainda regalará algum gato bravo.

E El-Rei que tanto tarda em voltar!

 

Os avieiros

João-Afonso Machado, 10.08.22

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Calhou folhear no alfarrabista uma velha edição (1945) dos Avieiros de Alves Redol. Livro baratucho com uma assinatura ilegível salvo no último nome - "Gonçalves" - e umas tantas páginas por descerrar, não obstante os rombos na lombada. Trouxe-o comigo para umas horas de navegação nas misérias do Tejo.

O Toino das Valas, algures para cima de Vila Franca de Xira, as suas forças nos remos, a sua Mulher ("companheira", insiste Redol, premonitório), a sua filha Maria - a Maria das Valas - gatinhando à proa por marés que desconheço e me conduziriam aos mistérios das margem de lá.

E as páginas carregadas de avieiros, "camaradas" (outra vez Redol...) da fome, a enriquecerem-se de tábuas, madeiros, encontradas para a realidade do barracão familiar. Sonhos enormes de tão pouco ambiciosos. Numa volta que me apanhou de surpresa dei comigo num saveiro cissiando as águas em lugar incerto à Póvoa de Santa Iria.

Só não era o eldorado da margem oposta e talvez houvesse de apostar a montante. Mas não difeririam as tarjas lodosas das águas por crescer em que "Gonçalves" não quis enlamear os pés. Nem as chapas metálicas, o desarrumo, o espaço exíguo onde se amontoam descendentes do Ti Lobo que até Santarém não calava as fúrias do mar da sua Vieira de Leiria, definitivamente arredada dos seus dias.

É, a vida dos avieiros seria assim, quase sempre dormitando sob o toldo dos saveiros e de navalha pronta para qualquer sabotador dessa preciosidade maior que eram as suas redes de pesca.

Mas "Gonçalves" não chegou a ler a história toda; o Toino das Valas ainda perderia o seu pequenito João, consumido pelas sezões; e a Póvoa de Santa Iria fará a mercê de manter como um museu essas embarcações de antanho na margem do Tejo, onde estiquei a vista em demandas além.

E Alves Redol, consolado, irá vendo as suas teses demonstradas - a vida é uma luta e dá imenso trabalho.

 

Santo Antero

João-Afonso Machado, 30.07.22

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Almoçávamos sossegadamente em agradável esplanada dando para o Largo com o seu nome, de frente para a casa onde viveu entre 1881 e 1891. Antero de Quental! O nosso maior sonetista, o único capaz de filosofar em duas quadras e dois tercetos decassilábicos. Um homem a pedir amor, compreensão e eternidade. (Sabedor da edição próxima dos seus sonetos, escrevia Eça ao amigo comum Luís de Magalhães, em 1886, - «Há almas sofregas desse alimento espiritual. Que esse Santo filósofo mostre a sua superioridade sobre os Santos do Calendário - aparecendo vivo e brochado, aos seus devotos».

Santo Antero, - assim ficou prá História. E depois do estudante em Coimbra e tipógrafo em Paris, - ermita em Vila do Conde, num longo percurso onde bandeirou a Revolução e o socialismo proudhoniano e depois proclamou Cristo e o budismo, quis o Nirvana, quase atingiu o desespero dividido entre a imanência e a transcendência, o lugar próprio da Humanidade na terra e o anseio metafísico de algo muito maior.

Nos então calados areais de Vila do Conde pediu aos ventos lhe trouxessem remédio para as suas angústias. Viver é comprender e eu - um imodesto - recordo palavras antigas de um senhor psicólogo dirigidas a mim - A sua personalidade tem muito de Antero... - observava ele.

Devorei os seus sonetos. O derradeiro, de 1884, é vilacondense e intitula-se Na Mão de Deus, dedicado à Mulher de Oliveira Martins, - «Na mão de Deus, na sua mão direita,/Descansou afinal meu coração./Do palácio encantado da Ilusão/Desci a passo e passo a escada estreita./.../Selvas, mares, areias do deserto.../Dorme o teu sono, coração liberto,/Dorme na mão de Deus eternamente!».

Foi a década mais feliz na sua atormentada vida de Santo Antero. «O meu misticismo dia a dia se consolida mais» -  dizia ele ao amigo Lobo de Moura - «A minha religião, o meu culto de existência super-sensível, sem o qual não sei o que seria desta minha pobre existência sensível».

Antero trocaria Vila do Conde pela Ponta Delgada do seu berço e do seu esquife, em 1893  morto pelo reaparecido desespero, num banco de jardim em que já me sentei um dia, em comovido abraço ao Poeta.