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FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

Por aí...

João-Afonso Machado, 22.02.21

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Vivi sempre à espera do Monstro. As gentes riam-se mas eu confiava. Ele havia de aparecer, de pescoço muito acima das águas e um olhar estranho, oferecido à minha interpretação. Maligno? Nem por sombras: somente atónito.

Porque percebeu. Entendeu que um tolo, para ali levado, vindo de longe, não o queria troféu, - somente um bocado conversado com a sua história. No agradável bebericar de um wkisky, em kilt, e o velho shake-hands britânico.

Amigos como sempre. Somente, caí na asneira de lhe pedir uma fotografia. Foi quando, sem mais palavras, imergiu, Até hoje... Meu Deus!, falei demais, o que possa narrar será sempre mentira.

 

Por aí...

João-Afonso Machado, 29.01.21

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Mais uma dúzia de braçadas e alcanço o areal. Espero... Não acredito em ananases mas em tubarões sim. Por ali ficarei, então, alguma ave passará e o comer é seguro até à próxima que esvoace a condizer. O ilhéu tão distante, algum navio há de surgir, entretanto, não vá eu perecer, sem terra, rodeado da secura do oceano. Aliás, bem podia chover, começo a ficar aflito com sede...

 

Por aí...

João-Afonso Machado, 04.01.21

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Herdei esta vadiagem de quem antes escrevinhava os meus blocos de notas. Pesado encargo, o diabo que o carregue! É andar e andar a esmolar imagens para o adubo de um qualquer caldinho de ideias, vida de pobre.

E nesse modo, partindo pelo mundo, chego à neve. A um mar imaculado com a neblina das sereias. Está frio e a fome abre a boca...

Ao longe a noção do precipício. Da queda fatal. A neve é um oceano onde todas as naus se perdem. Um inferno que não cheira a enxofre - apenas à humidade do granito, com os corpos escorregando, e os gritos ecoando dentro do abismo.

O canto chamativo das sereias e a queda feliz para o fim...