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FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

A heróica Portuguesa

João-Afonso Machado, 13.05.21

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Espreito-a da varanda da minha casa e recordo tempos aparentemente idos - os do famigerado confinamento. Porque por aqui falham os entendedores de culinária, o frigorífico somente dispunha de quaisquer coisinhas para as emergências... Mas do outro lado da rua, a emérita Portuguesa, o restaurante vizinho, o risco diário de uma corrida atravessando o asfalto, rajadas de coronas, os regimentos covid de tocaia até ao take-away salvador.

E regressava pelo mesmo caminho, outra vez sob um chuveiro virulento, a máscara agarrada à boca, em ziguezagues no alcatrão, trazendo a vitelinha assada e uma garrafa de vinho.

Assim todos os dias e semanas, sujeito ao fogo cerrado do inimigo, aplacado depois, já na trincheira, pela vitelinha ou por uma coxa de frango.

E a Portuguesa sempre no seu posto. Infelizmente sem argumentos bélicos, como deles dispôs a Padeira de Aljubarrota, mas audaciosa, dotada de resistência, e da perspicácia de uma Deuladeu Martins face aos sitiantes.

Sobreveio a paz (ou tréguas somente?). O inimigo retirou das ruas e houve estralejar de foguetes. (Conquanto recomendassem prudência por causa dos sempre traiçoeiros snipers...) A Portuguesa escancarou as portas triunfalmente. Tudo, ou quase tudo, voltara aos velhos tempos, sobretudo o peixe grelhado, o arroz de polvo, sempre muito quentinhos no prato à nossa frente.

A D. Alexandrina, o Sr. Martinho e o seu estado-maior tinham resistido. E libertado, enfim, o bolo de bolacha, os bolarecos e os bolaricos, o salmão, o besugo e os verdinhos, mais o combustivel, o alavanca da última colheita.

A Pátria estava salva! Obrigado Portuguesa

 

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