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FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

A vaguear pelos Açores (IV) - Cidade da Horta (Faial)

João-Afonso Machado, 01.04.21

A Horta é, plenamente, uma cidade marítima como poucas haverá entre nós, na dispersão do turismo, do sol e das multidões. Poderíamos imaginar-nos na costa escocesa, em terreóla povoada por barbudos de boné e cachimbo fumegante na boca, ruidosas botas de cano alto em borracha até à cintura...

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Cravada numa conferência de morros, a sua baía é considerada das mais bonitas do mundo. Por esses meandros andaremos, em busca de lugares inesquecíveis, frisando sempre a Horta tem, também, a sua história bélica, os seus monumentos, o seu fortim.

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É região de ventos e de veleiros, de vidas arriscando-se ou dadas ao desporto. Isso nota-se por toda a parte, quer nas águas,

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quer por lá perto, entre clubes náuticos e bares que não enganam sobre a frequência: de todos se destacando o mundialmente famoso Peter,

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onde as noites são longas e regadas com o melhor gin. Mas, amanhecendo, as negras e altas sombras das redondezas acordam, revelando todas as suas belezas e as que se ocultam entre si. Como subindo ao Monte da Guia e gozando lá de cima a Caldeira do Inferno

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ou, no lado contrário, o célebre Monte Queimado, turvando desculpavelmente a visão da baía

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enquanto faz serviço de enseada ao Porto Pim

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O qual, nesta tramóia, surge pelas costas a entalar a Horta entre possíveis maldades das invernias.

Há mais História: a dos homens de negócios, ingleses ou americanos, que se fixavam neste lugar estratégico das rotas marítimas. O caso da família Dabney, aqui chegada no início do século XIX, deixando-se estar por toda a centuria que se seguiu, com casa de morada agora visitável como museu. Dada a sua posição privilegiada, a Horta foi depois, nas primeiras viagens regulares dos hidroviões Boeing (Anos 30) para a Europa, um ponto de reabastecimento incontornável.

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O que ninguém esqueceu, e por todo o lado se multiplicam fotografias, memórias e até enormes miniaturas desses "passarões" já de antanho.

Vindo um nada mais para dentro, não há como não descansar um pouco no Jardim da Praça da República, que a gente até faz de conta não ser, no embalo da aragem nos bancos, dos ramos densos das suas auracárias.

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de todas as suas cores, imaginando a Filarmónica local, em tarde de muita inspiração e maestria, proporcionando um inesquecível espectáculo no coreto. Ou então, indo pela imaginação do casario, extravagante, às vezes, mas jamais perdendo a harmonia naquelas bonitas formas,

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ou mesmo a mãozinha da II República, dita o Estado Novo, ali na cidade,

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a Sociedade Amor da Pátria, pois claro, cuja serventia actual não averiguei.

E para terminar - em homenagem à Maria das Angústias, a velha governanta dos Dulmos (in Mau Tempo no Canal, de Vitorino Nemésio), a igreja com o seu nome:

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A Igreja de Nossa Senhora das Angústias (na freguesia urbana assim denominada), de portas abertas, muito de oração e devoção, chamando os crentes, persignando-se sempre, tal como a simpática idosa, que o Autor quis não conhecesse o fim daquele seu romance.

 

2 comentários

  • Nao tem de agradecer.
    Vá lá ver como é.
    Obrigado.
    Uma boa Páscoa.
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