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FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

A vaguear pelos Açores (X) - A Praia da Vitória (Terceira)

João-Afonso Machado, 24.04.21

Foi um voo simpático, do Pico à Terceira. Era já o regresso ao Cont'nente, com esta escala de meio dia, o bastante para revisitar a Praia da Vitória. Passe a cacafonia, a sua história. 

E uma desordem de ideias. Dali partiu a esquadra chefiada pelo Senhor D. Pedro IV, que havia de desembarcar na praia de Pampelido. Mas eu por quem? Os meus, nessa contemporaneidade, por El-Rei D. Miguel; duas gerações depois, jurando a Carta Constitucional, juramento esse que me cumpre não negar... A Guerra Civil foi o que foi, e imagino D. Pedro IV, na sua fragata, acompanhado dos seus estrategas militares, - Terceira, Saldanha, Sá da Bandeira, Sartorius... - afinal os grandes oficiais que venceram um povo quase inteiro pela sua audácia, pela sua ousadia e saber militar. Posto em frente da baía da Praia da Vitória, vou tentando resolver equações de partido jamais solucionadas...

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Mas talvez a matemática da História dê o tema por ultrapassado. Sobre todos os dilemas partidários resultou a nossa eterna Coroa. Foi assim que despeguei os olhos daquelas águas sem parelha, e andei por lá, até que, já esfomeado, abanquei e comi um inigualável bife de espadarte.

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Não é tosca esta cidade da Praia da Vitória. E vive sobremaneira dos seus monumentos, por regra assinalados com três datas: as do construção, destruição e restauro. É o caso da Igreja da Misericórdia.

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Defronte, o busto de Vitorino Nemésio e a casa das suas Tias, famosa pela sua sacada de dez janelas, um magnífico edifício com a sua lápide, as suas memórias (à dita faz o Autor referência no seu romance Paço do Milhafre)...

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E o passeio prosseguia, em riscas de cor - amarelas e azuis - pela cidade fora,

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realidade arquitectónica impossivel de não aliar às vilas alentejanas, tal qual a emoção dos toiros, um exclusivo ilhéu da Terceira,

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conforme bem está descrito no derradeiro capítulo do Mau Tempo no Canal (Vitorino Nemésio).

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Com tudo entre vegetação exótica, jardins de silêncio e sombra, copas de árvores que são mães de filhos agoirados pelo calor.

A finalizar, o retorno ao Cont'nente, ainda por Ponta Delgada, lugar proibido pelo Covid, abriu-se numa longa chama de saudade, que os Açores valem muito. Mesmo muito. Muíssimo.

 

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