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FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

Desafio lápis de cor| O castanho animal

João-Afonso Machado, 07.04.21

Vi e ouvi hoje dois galarós altercados. Eram castanhos. Da janela olhei os campos lavrados, aptos à semeadura. Eram castanhos, também. E, nos prados, reparei no resultado de breves instantes intestinais dos bovinos. Igualmente castanhos.

Assim resolvi, aqui da ruralidade, trazer ao mundo ainda mais castanhos, escamosos, espinhosos ou escorregadios. Lembrando passeios com a minha velha Tareja, de saudosa memória.

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Tocando a Primavera, assim ela, entre as pedras, desse com uma cobra! Estacavam as duas, ambas com medo, no fundo. Era o tempo de segurar a cabeça da bicha e apanhá-la pela pontinha da cauda. Por mais que tentasse, nunca os seus dentes, a sua ferradela, me atingiriam. Sendo esta espécie, a cobra-rateira (porque a base da sua alimentação é a rataria), das maiores - podendo atingir os dois metros - e das mais agressivas (outras há que, apanhadas juvenis, até são domesticáveis...).

Porquê capturar a cobra? Apenas porque é um animal biblicamente amaldiçoado, ainda hoje capaz de aterrorizar as gentes, e nada como combater atavios - prendendo-as e restituindo-as à liberdade depois.

Além do mais, importando também tomar nota da estranha sensação das suas articulações, a sua estrutura óssea, as suas cartilagens, - tudo aquilo rangendo. E do seu olhar frio, fixo, quase diabólico.

Já não para os meus pobres canídeos, o mais simpático e inofensivo animalzinho das hortas: o ouriço-cacheiro. Não foge, não morde, somente se enrola dentro dos seus espinhos, ao lado dos quais um cacto é brinquedo. Essa a sua eficientíssima defesa e assim me achei grego para os apanhar - cuidando sempre de não envolver o focinho dos pobres cães na questão.

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Deu-se o caso, topei um no Parque da Cidade. Mas como lhe deitar a mão , se os picos se encravam e doem a sério? Pois com a ajuda de um saco de plástico, o ouriço em cima, transportado pelas avenidas como num tabuleiro, e, na minha varanda, submetido a uma breve sessão fotográfica.

Depois foi o tempo de o levar a um excelente reino de alfaces e cebolo, aqui em frente, onde decerto se banqueteou.

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Lesmas, caracois... toda a parasitagem das hortaliças por conta dele. Talvez ainda por lá ande. Não nos voltámos a encontrar, mas nisso creio piamente. Assim prossiga o bródio...

 

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