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FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

Desafio lápis de cor| O verde escuro das florestas

João-Afonso Machado, 10.02.21

CEDRO GRANDE.jpg

No verde escuro da Natureza venho aqui defender a minha identidade de João-Afonso, o nome que herdei do meu venerando Avô, homem fiel dos arvoredos, que tantos plantou a esverdear a provincia. E isto porque a Fátima Bento (https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/good-morning-pipol-451031), por distracção, me chamou «José Afonso».

Nada de grave, é óbvio. Gosto muito desse meu semi-homónimo. Bandeiras à parte (que a minha tem uma coroa em cima), sempre teremos partido de um ponto comum mas, a alturas tantas, o José Afonso, com a sua fabulosa Balada de Outono...

«Águas das fontes calai/ Ó ribeiras chorai/Que eu não volto a cantar./Rios que correm para o mar/Deixem meus olhos secar»

... veio seguindo os cursos aquosos até ao Litoral onde, a lacrimejar, diz ter deixado as suas baladas.

Eu, um Afonso (João) de muito menor alcance, fui ficando pelas nascentes que nunca acreditei se calassem. Sem sílabas agudas, comedidamente tónicas, mesmo segredadas. (Em clamando José!, logo os gaios - Ué, ué, ué! - se levantariam num berreiro de debandada.) À moda dos matos verdes, enegrecidos pelas sombras, assim calcorriei, anos fora, florestas inteiras. O ambiente onde cresci e vivi. Sob pinheiros, sobreiros, cedros e carvalheiras, e no som imparável das águas desniveladas orquestradas em penedias. Entre todos os musgos arreigados à vida nas rochas. Uma música ora acelerada nos córregos, ora suave em vagares cristalinos, com os godos nús a servirem de fundo e compasso. Se me estou a esquecer do verde? Pois bastava topar aqueles foguetes de barbatanas, fugidios, armar-lhes o aparelho à linha, e esperar debaixo de tão escura, esverdeada, frondosidade... Mesmo mais a jusante, onde nas águas, já em correntezas planas, - essas águas sempre claras, de fundo arenoso, e os limos como cabeleiras ao sabor dos remoínhos - assim lá mais em baixo, o peixe vem também ao chamariz... E não há peixe que não esverdeie de negro brilhante nas escamas do seu dorso...

João-Afonso: um nome que é um sussurro. Talvez uma reminiscência sueva de quando tudo, afora qualquer povoado, era floresta em tons de trajes de pele já antigos, verdeteados, no jeito de andar (ouvindo o grunhido dos javalis e o balir dos veados), na quietude de todos os dias do ano. Buscando mezinhas nas raízes depois a ganhar cor dentro das botelhas, colhendo verdes folhas de cidreira e outras artes de infusão... Robin Hood o seu fiel Litlle John! De arpão em riste, equilibrados na verdura dos calhaus marginais. Sherwood! O mundo arborizado, sob a folhagem perene, de que nunca me afastei. Escuro, sombrio e denso, benfajezo ou traiçoeiro, troncos inacessíveis, incontornavelmente verde essa vida inteira.

 

3 comentários

  • Obrigado caro José.
    É o meu Amigo, já pronto para o próximo desafio? De saúde?
    Um abraço.
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    José da Xã 11.02.2021

    O próximo já está escrito e agendado. Uma coisa assim diferente.
    Para não estar sempre a bater na mesma tecla...
    Quanto à saúde 5
    Teste ontem de covid negativo. Foi de certeza o medronho... que tratou da saúde ao bicho!
    Forte abraço!
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