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FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

Madrid (I) - O Parque del Buen Retiro

João-Afonso Machado, 06.12.22

Ao longo de toda a rampa, a feira semanal de livros antigos. Uma tentação, obras de se agarrarem com as duas mãos e a razão a conseguir sobrepor-se - a exorbitância dos preços, a dificuldade no seu transporte. Dois cavalos da Guarda fizeram-se ouvir na calçada e a sua tranquilidade veio também refrear tais impulsos. A volta prosseguiu, pois, com a entrada no Parque del Buen Retiro.

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Estão ali cerca de 125 hectares, mesmo perto do Centro de Madrid (e especialmente do meu hotel...), uma área que talvez nenhuma propriedade minhota alcance; uma assinalável mancha verde no mapa da cidade. Fiz prévias perguntas, ouvi estranhas respostas: uma logista macarroneou não sei que alusão a «evil». - Evil? Esta maldito porque?

Não sabia. Nem acescentava fosse mal frequentado. Coisas antigas...

O Parque, constatei, estava, sim, sobrefrequentado. Era sábado e toda a Madrid convergiu para cima do meu sossego. «Evil»... Que romaria nas suas diversas entradas! E localizando-se estas em portões imponentes, de onde nasciam as suas "avenidas" principais, rapidamente me escapuli para as ramificações, caminhos toscos e escondidos pelo arvoredo. Talvez desse com um dos derradeiros lobos da região...

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Mas o que descobri cortou cerce as minhas ilusões. Loriquitos! Às centenas. No chão e abrigados nas copas dos pinheiros e cedros. Chilreando infernalmente!

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Onde está praga dá, poucos mais se aguentam, despedaçados pelos seus agressivos trombis. Pelas redondezas sobravam pombas, algum melro na clandestinidade, pegas aos pares (porque com estas, muita atenção!...)

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e um bico grossudo, entretidíssimo em ramagens nuas, um pássaro que nunca até então fotografara.

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Assim o passeio prosseguiu todo mundano já. Havia água correndo e o seu destino era o «estanque». Qualquer coisa a fazer lembrar, mais pobrezinho, a pomposa Versaillhes.

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É, uma Versailles popular com dezenas de barquinhos a remos a transbordar de famílias inteiras rodeadas de... gaivotas, aos molhos, e até, como sinaleiros no cais, alguns corvos-marinhos! Em pleno coração da Peninsula Ibérica!

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Em redor do «estanque» o auge da animação. Dava-se de comer aos patos e às carpas. Ouvia-se música, mesmo algum bem tocado jazz, duas chicas dançavam e o trompetista piscava-lhes o olho...

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Tudo isto rodeado de muitas esplanadas, vale dizer de horas e horas de espera para ser atendido. Desviei-me para a banda. Bonecos gigantescos de peluche espaventando-se à cata de uma moeda estorquida às criancinhas, a imaginação das estátuas vivas,

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a visão de um casal de piadeiras, quer nadando,

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quer voando (o tempo de espera, o meu, para assistir e fotografar a passagem!).

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e Afonso XII, O Pacificador, por todos zelando no topo do seu pedestal.

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A manhã estava feita neste seu reino de palradores e psitacídeos. Abalei em demanda de lugar recôndito para o almoço.

 

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