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FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

FUGAS DO MEU TINTEIRO

Imagens e palavras de um mundo onde há menos gente

Por aí...

João-Afonso Machado, 04.03.21

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Porque eu posso - porque eu ainda posso - escolhi o mundo para vadiar um pouco por aí. Um mundo que começa à porta de minha casa e acabará (quem sabe?) no último dos meus dias. Entretanto, como se trouxesse uma ratoeira escondida, vou-o encaixotando na minha máquina fotográfica, por vezes em francês ou inglês muito frouxos, que eu nasci cego de línguas estrangeiras.

Mas lá tenho podido ir. Mochila às costas, uma ou outra noite dormida nos bancos de um aeroporto, em geral deslocando-me - havendo companhia - no conforto do automóvel. Porquê? Creio porque a vida se inventou para ser compreendida: trazida de fora para dentro, meditada e escrita. Talvez eu ainda possa um dia descobrir as palavras ideais para a sentir e descrever e explicar.

 

(Um desafio de Fátima Bento - https://porqueeuposso.blogs.sapo.pt/porque-eu-posso-3-texto-do-471689 - Obrigado, Fátima, pela sua simpatia e amizade!)

 

 

Por aí...

João-Afonso Machado, 22.02.21

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Vivi sempre à espera do Monstro. As gentes riam-se mas eu confiava. Ele havia de aparecer, de pescoço muito acima das águas e um olhar estranho, oferecido à minha interpretação. Maligno? Nem por sombras: somente atónito.

Porque percebeu. Entendeu que um tolo, para ali levado, vindo de longe, não o queria troféu, - somente um bocado conversado com a sua história. No agradável bebericar de um wkisky, em kilt, e o velho shake-hands britânico.

Amigos como sempre. Somente, caí na asneira de lhe pedir uma fotografia. Foi quando, sem mais palavras, imergiu, Até hoje... Meu Deus!, falei demais, o que possa narrar será sempre mentira.

 

Por aí...

João-Afonso Machado, 29.01.21

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Mais uma dúzia de braçadas e alcanço o areal. Espero... Não acredito em ananases mas em tubarões sim. Por ali ficarei, então, alguma ave passará e o comer é seguro até à próxima que esvoace a condizer. O ilhéu tão distante, algum navio há de surgir, entretanto, não vá eu perecer, sem terra, rodeado da secura do oceano. Aliás, bem podia chover, começo a ficar aflito com sede...

 

Por aí...

João-Afonso Machado, 04.01.21

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Herdei esta vadiagem de quem antes escrevinhava os meus blocos de notas. Pesado encargo, o diabo que o carregue! É andar e andar a esmolar imagens para o adubo de um qualquer caldinho de ideias, vida de pobre.

E nesse modo, partindo pelo mundo, chego à neve. A um mar imaculado com a neblina das sereias. Está frio e a fome abre a boca...

Ao longe a noção do precipício. Da queda fatal. A neve é um oceano onde todas as naus se perdem. Um inferno que não cheira a enxofre - apenas à humidade do granito, com os corpos escorregando, e os gritos ecoando dentro do abismo.

O canto chamativo das sereias e a queda feliz para o fim...